Sinto o gosto amargo do cigarro em minha boca
Sinto também um pouco de álcool
Passam por mim os desvalidos; os bêbados
Que assim como eu vagabundeiam à noite
Vejo a desesperança neles
Sinto a desesperança em mim
Vagabundo, absorto em meus pensamentos inúteis
Trago e trago comigo a desolação
Sinto a solidão, mas isso não me perturba
Sinto o desgosto e continuo a sentir o gosto
Do fumo; do álcool; da indiferença e
Também sou indiferente aos indigentes em minha volta
Ando; caminho; enquanto meus pensamentos correm
Correm comigo; correm sem mim
Deixam-me solto, sem chão, sem direção
Com a certeza da incerteza que é a vida.

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