
Entrou naquele ônibus e rapidamente caiu nos braços de Morfeu por minutos. Quando acordou, assim o fez, pelo aroma da brisa noturna que impregnava seus pulmões.
Abrindo os olhos notou a noite levemente morna e as pessoas ao seu redor, e a rua fora do ônibus.
As pessoas estavam cadavéricas, pálidas, sem vida, mas algumas conversavam entre si.
O ônibus não corria apenas se movia.
A rua estava cadavérica. Esqueletos de prédios, ruínas, silêncio, lua a brilhar.
Olhou pela janela e avistou o cemitério pelo qual sempre passava, mas desta vez foi diferente. Viu pessoas como as do ônibus: cadavéricas e com roupas antigas de diversas épocas.
Sentiu que algo acontecia ou não, porque teve a impressão de que aquele trajeto de poucos minutos estava levando uma eternidade.
Sentiu um aperto no coração; sentiu o vazio, mas não transpirou nas mãos como de costume.
Sentiu sua boca e seus lábios ressequidos.
Sentiu apenas o frio que agora tomava seu espírito.
No ímpeto de se levantar e dar o sinal para descer, sem nem mesmo ter chegado ao seu ponto, olhou para seu reflexo nas janelas do ônibus e se viu cadavérico.
Seu cabelo era ralo como a teia de uma aranha, os poucos dentes que lhe restavam estavam amarelos e apodrecidos. E na rua, viu o anúncio de comemoração de 300 anos de aniversário de sua cidade.
Entendeu. Estava morto há 200 anos.

Ricardo,achei esse foda. Um bom microconto, excelente. Anderson (seu amigo)
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