domingo, 28 de novembro de 2010

A Tragédia

Sou a figura trágica do lobisomem.

Sou aquele que apesar da monstruosidade aparente,

Esconde um humano, cheio de medo e falhas...

Sou a tragédia daquele que mata e afasta quem ama

E sofre por ser algo que não quer.

Sou o medo personificado

A solidão esquecida dentro...

A dor que causo, sou a dor que sinto

O tempo que espero é simplesmente

O tempo em que em mim me perdi...

Sou apenas um espelho distorcido daquilo

Que um dia já fui

Que um dia pretendi ser

De algo que sou e que não entendo...

Sou como disse a tragédia de ser o que não sou,

E de me ausentar de mim em mim;

De não ter consciência do que sou e de

Por isso sofrer, por mim e em mim...

De morrer um pouco a cada dia por dentro e

De me perder na besta feroz que me tornei

De ser o homem de outrora perdido

No monstro aparente de hoje...

Tempestade

Assim como uma tempestade ela entrou em minha vida...

Chove, ainda chove...

Sinto o aroma da terra molhada,

Sinto a grama molhada embaixo de meus pés.

O céu fechado está,

Nuvens pesadas anunciam que a tempestade

Que na minha vida entrara, permanecerá

Até quando?

Quero tê-la

Quero merecê-la assim como

Merecer-me, ela também precisa

Quero o sol a brilhar em nosso céu...

Quero que a tempestade mude meu mundo

Que depois da chuva, as flores floresçam

Como nunca em meu jardim floresceram

Quero a esperança de um dia de Sol agradável

Quero ver minha vida como um rio límpido a cruzar

Meu caminho, meu destino, meus sonhos, meu Eu

Quero ter a chance de me dar uma nova chance

Onde meus erros de um passado, sejam meus guias

Quero novamente saber qual o gosto

De um dia de paixão,

De um tarde de cumplicidade,

De uma noite de amor

Quero a eternidade efêmera que

Um dia já vivi e que outrora

Deixei para longe de mim, ir

Quero apenas a simplicidade de um reles mortal sem ousar os Deuses desafiar...

Sou apenas mais um condenado


Condenado por aquilo que fiz

E lembro e pelo o que não lembro

Não sou bem quisto nem no céu

Nem no inferno

Tenho de aceitar minha missão

Tenho de aceitar quem sou

E o que não sou

Tenho de saber que a dor e o sofrimento

Talvez sejam minhas únicas companhias

E, portanto, devo contente com elas estar...

Não pertenço nem ao frio nem ao calor...

Preso no meio, no que não se pode distinguir

Talvez a virtude da verdade seja a mais dolorosa

Talvez haja condenados como eu

Basta saber onde eles estão

Não tenho as portas dos céus abertas

Nem as do inferno, se quer me são permitidas

Pois luto contra ambos

Luto contra o bem e o mal...

sábado, 17 de julho de 2010

Em memória


Sou o prazer da dor, a solidão da multidão, aquele que espera sem nunca ser esperado...
Sou aquele que por entre tantos passa e por tantos outros se quer será lembrado...
Sou apenas mais um dentre muitos que nada são, estão ou serão...
Sou o arrependimento esquecido...
A dor abafada...
A esperança outrora inglória esquecida...
Sou o princípio de tudo o que em mim finda e jaz...
Sepultado em plena consciência de ser aquilo que tanto me pergunto se sou...
Tento apenas tentar ser o que talvez nunca ousasse se soubesse que poderia...
Enfim o apagar de uma estrela...
O amanhecer na lembrança de algum moribundo...
O veneno desferido...
A dor...
A vontade que não se fez presente quando mais se precisou...
Apenas um mortal, imortal aos olhos de Deus...
Apenas um homem em fuga de si, em fuga...
Em fuga.

sábado, 3 de julho de 2010

Saída


Certa vez um homem, que nunca satisfeito consigo estava e que ao invés de grato estar com o que tinha e buscar o que não tinha, resolvera deixar tudo em que acreditava; todos os que o amavam e para longe, decidira ir.

Preso em seu próprio mundo de dúvidas e de falsas certezas, acreditava que o momento em que deveria aceitar sua derrota, que fora ocasionada por si mesmo, sendo ele vencido e vencedor, ainda não tinha chegado, pois em momentos de autoperseguição; de esquizofrenia, ouvia o seguinte comando: “adia”.

Entendera então, que o momento de se entregar a si próprio; de rever seus valores, certezas e dúvidas, ainda não havia chegado e sempre que pensava que o momento era propício, novamente ouvia: “adia”.

Em meio ao seu conflito; lutando contra si, assumindo em turnos, o bem e o mal, sentia-se sem chão e via em si apenas seu reflexo. Tornara-se tão somente o reflexo de alguém que outrora fora e que vindouramente poderia ser, mas se ateve a esta idéia.

Não conseguia mais se ver no espelho, pois não se reconhecia e sim, via como fora e deveria ser e sentia-se reflexo; reflexo de si.

Em meio a sentimentos distraídos, conclusões parciais e agonia presente e constante, e com seu pensamento atado a sua imagem refletida, ou melhor, a sua imagem real, mostrada pela exposição de seu reflexo, adormeceu certa vez em um ônibus em algures fora de seu lugar; seu país; seu reino e ao despertar abruptamente olhou para seu reflexo nas janelas daquele ônibus e se viu realmente e notou a palavra escrita: “adias”, desta vez encontrara na palavra escrita o “s” que lhe faltava na palavra dita em sua mente, e ao se virar para o oposto, para trás de si, viu a placa que dizia: “saída” e entendera que era o momento, ou melhor, que sempre fora o momento de se render a si; de vencer a si; de ser vencido e vencedor e trazer seu real para o mundo espelho e transpor seu reflexo para o mundo real...

terça-feira, 29 de junho de 2010

Carta de um suicida em potencial



Não sou, não quero e não serei suicida, apenas sinto e quero escrever como tal. É pensado que alguém de pouca instrução não é propenso ao suicídio, e talvez, essa seja uma verdade. Assim o digo, visto a maioria dos suicidas possuírem um alto intelecto. Acredito nisso, pois os sentimentos, conclusões e inferências que são feitas, vislumbradas e vivenciadas por um suicida e as quais, normalmente em cartas constam, referem-se a leituras de mundo e de fatos que normalmente possuem em si, uma complexidade que dificilmente alguém de pouca instrução teria a percepção das mesmas.

Enquanto escrevo essas linhas, tenho em meu coração, alma e mente um alto sentimento de autodestruição; uma agonia; um sentimento profundo de impotência e vislumbro um futuro vazio, ou melhor, um não-futuro, apenas um presente ausente.

Esses sentimentos tomam-me de tal forma, que apenas consigo ver em repetidas vezes, como se vivesse e revivesse o tempo todo, o começo de meu fim e não vejo fim para este começo, apenas uma contínua e aguda caminhada de torpe trajeto. Trajeto esse, que parece infinito e bifurcado a cada passo, e o pouco que se consegue ver dos caminhos oferecidos; das escolhas, não é bom. Incrivelmente, independentemente do caminho ou escolha tomada. A cada passo, o sentimento é que se anda em círculo com a diferença deste círculo por vezes se fechar, por vezes se abrir.

Em meu caminhar não há dia, só noite; não há calor, só frio; não há luz, só escuridão.

O calor que dá vida aos que vida tem, em mim, age como o sol que toca uma foto e com o passar do tempo a descolore de tal forma que um dia, ela se apaga. Assim também é a chuva que encharca minhas memórias ao ponto de me fazer afogar em mim mesmo enquanto desapareço perante a mim e perante aos outros.

Enfim, a tristeza que se apodera de mim, me consome, me “destorna” homem; faz com que me esqueça o que sou, o que fui e do que um dia tive vontade de ser...

Tenho enfim, talvez já o fim, presente em meus dias que ainda virão; tenho a certeza de que a morte virá e quero vê-la vestida de carmim, sorridente, aconchegante, apenas esperando por mim, como uma meretriz que seu homem espera.

Quero apenas encontrar conforto em seus braços, me sentir vivo, embora morto esteja.

Quero apenas me reencontrar comigo mesmo; quero apenas ser a sombra do que um dia já fui...

A metade da lua que vejo é a minha somente

Penso em ti e tu pensas em mim?

Sinto tua falta e tu sentes a minha?

A Lua brilha, mas somente uma metade...

As estrelas enfeitam os céus, mas não todas...

Por onde andarás?

Onde estarás?

Sei que estás aqui comigo...

Em meus pensamentos; sentimentos...

O frio apenas me faz querer contigo estar

A sua ausência apenas sua presença em mim faz aumentar

Sinto que deveria seus lábios sentir contra os meus, tocá-los

Queria estar contigo em seus braços, te abraçar...

Sinto-me perdido em ti...

Sinto-me longe e perto de tudo em ti...

Queria sentir-te, olhar-te dentro dos olhos

Esquecer-me de mim e perder-me em você...

sábado, 12 de junho de 2010

O diabo na torre da igreja.



Sou o diabo na torre da igreja.
Sou aquele que vai trazer a desordem,
O questionamento, a luz...

Sou o diabo na torre da igreja.
Trarei movimento ao mundo inerte,
As almas, aos corações...

Sou o diabo na torre da igreja.
Farei você acordar,
Farei você tremer, temer, amaldiçoar, enfim viver...

Sou o diabo na torre da igreja.
Convido você a revoltar-se, a não aceitar, a
Zangar-se, a pensar, a crescer...

Sejamos então, o diabo na torre da igreja.
Toquemos fortemente o sino...
Acordemos tudo e todos e sejamos senhores de nós mesmos...

quinta-feira, 27 de maio de 2010

NOVA


Uma atração proporcional ao inverso do quadrado das distâncias e tenho a colisão dos dois pontos...

Um ser renovado, reluzente que venceu a si próprio; que venceu seus medos, suas mentiras, sua solidão...

Um ser assimétrico e simétrico em si próprio em seu próprio espaço-tempo, fora e dentro de si...

Was ist das?

Warum ist das?

Das ist nicht!

Disforme e perfeito em si e anômalo aos olhos nus...

Uma Nova sem igual...

A ponta de um novo iceberg que apareceu já se tornando água límpida em um imenso mar azul...

A brisa da manhã ao tocar a pele virgem de um recém-nascido e de um moribundo ao nascer do Sol...

O sangue novo...

O sangue velho...

A saúde...

A doença...

A tristeza...

A alegria de ser algo que sempre fora e acabara de se tornar, em si e fora de si, alucinado em plena razão de ser...

Não quero choro nem vela!

Não quero choro nem vela!

Não quero lamentações!

Ninguém para pegar

Nas alças do meu caixão.

Não quero tristeza,

Dor nem perdão.

Quero apenas que me esqueçam!

Quero apenas as lembranças.

Quero apenas que não vão

Ao meu último momento

Em cima desta terra.

Que façam coisas melhores:

Saiam, divirtam-se,

Tomem cerveja!

Apenas vivam,

Enquanto vivos estão!

Eu, morto estarei.

Nada mais precisarei!

Não quero deixar tristeza;

Não quero que percam seu tempo comigo.

Não deve ser assim.

Não deve haver tristeza,

Apenas saudade.

Saudade da boa.

Saudade que aquece os corações!

Saudade que preenche as emoções!

Saudade que eterniza o mortal

Que todos nós somos...

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Carta de despedida...


Agonia, dor, vazio
Mostram-me que vivo ainda estou
Não por muito mais tempo...

O vale da sombra da morte
Tenho de percorrê-lo
Sozinho
Vocês estarão comigo
Em meu coração partido
Nas lágrimas que escorrerão pelo meu rosto
Nas marcas em minhas mãos


O frio envolve-me e envolver-me-á
A dor companheira indesejável
À noite, meu céu sem estrelas, sem luar
Também companhia me fará
Nos últimos momentos de minha caminhada

Obrigado a todos
Por transformarem um nada em lembrança
Obrigado pelo tempo que desperdiçaram comigo
Obrigado pelo abrigo
Obrigado pelo refúgio
Obrigado pelo ombro amigo
Das noites indesejadas de incômodo
Desculpem por todo tempo que lhes tomei
Desculpem por todo problema que os levei
Perdoem-me pela fraqueza de meu ser
Perdoem-me pela arrogância
Perdoem-me por tudo o que de bom não os fiz
Por todo mal e aborrecimento que lhes causei

Ando, e ainda um pouco mais hei de andar
Descalço pelas estradas tortuosas da vida
Que ainda hei de passar
Sofro, e ainda um pouco mais sofrerei
Apesar de a escuridão me cercar
E de pouco em pouco a visão perder
De tudo esquecer...
Mas os trarei em meu coração até o último momento
Amei-vos da minha maneira
Amem-se e amem uns aos outros
E nada façam em memória de mim
Obrigado e perdoem-me
Deixem-me descansar em paz
Só, como vim, como vivi e como hei de terminar...

segunda-feira, 29 de março de 2010

Versos do Apocalipse

I

No início era o fogo, a dor, a ira
O arrependimento também presente se fez
A humanidade posta outra vez
De joelhos diante da vida

As chamas queimavam tanto
Que os corpos sombra faziam
E o mundo repleto estava
Repleto de tanto vazio

A fome, o mal, a peste, a desconfiança
Permeavam tudo e a todos
A escuridão das almas e dos corações
De tão escuros, uniam mesmo os não-irmãos

O brilho da morte era intenso
A laceração das vísceras
Os vícios e agonias
Apenas sequazes noite e dia

Queimava tanto que o queimar
Congelar parecia
O corpo a alma a mente
Enquanto toda desgraça acontecia

II

A noite acalmava a dor
Pois não se via tamanha agonia
Sentia-se, sabia-se das tormentas
Das pragas e pestes que andavam de dia

Não se via, mas o som da morte
Sentia-se o sangue correr
Não mais pelas veias
Mas por todo corpo escorriam

Fumaça, escuridão, dor
Chagas cheias de bichos
Feridas abertas
Putrefação à vista

Dejetos; horror fétido
Envolvia tudo e a todos
Pelos cantos, corpos
E todo tipo de resto

Não havia risadas, caminhadas
Somente gargalhadas ao começo
De um novo dia que seria
Horrendo, podre e sofrido como os outros

III

Assim era o começo
Assim era o fim de uma era
Era desperdiçada em vicissitudes
Em ganância, maldade e egoísmo

O fim era apenas o começo
Da famigerada punição a
Tudo e a todos
A vez da dizimação em massa

Sofrimento era a única
Companhia à vista e à mão
Lugar comum onde
Todos e tudo se amontoavam

Desgraças não eram nem às vezes
Vistas, tamanha a dor
A indiferença, agonia
Cegueira e tristeza sentidas

A morte já não era se quer
Uma saída ou entrada
Era um precioso milagre
Que poucos alcançavam

IIII

O tempo milagre fez
O mundo em sofrimento
Ainda gira e gira
E girando a dor prolonga-se

Prolonga-se e Prolongando-se
Sofre-se, mas aprende-se
Também com a dor e o horror a conviver
E um novo amanhã a nascer

A dor aproximou
O amor não mais se conhecia
Conhecia-se apenas
Aquele mundo de dor, agonia e sofrimento

Mas por linhas mesmo tortas
Escrevem-se histórias de derrotas e vitórias
De superação; de caminhos percorridos
Ou até mesmo de caminhos esquecidos

Nas entrelinhas lê-se todos
Os “mas”, os “porém” e os “se”
E tudo mais que escrito está
E o que velado foi

quinta-feira, 11 de março de 2010

Despatriado



As calçadas da morte já não mais são as mesmas,

As da vida, tão pouco

O gato preto já não mais assusta,

Corre assustado.

A lua tão pouco brilha,

Opaca tornou-se

Tornei-me opaco e inglório também.

Despatriado

Desprezível e

Desprezável

O frio não mais importa;

O calor, temo-o.

A vida apenas vivo,

Com medo de não mais refletí-la;

De não mais haver reflexo meu em espelho algum;

Com medo de não mais ser reconhecido

Com pavor de mim mesmo

Apavorado por mim, por tudo e por todos

Apenas seguindo;

Sendo apenas mais um

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Apenas mais um...


Há muito tempo, vivia em uma cidadela, muito singular e particular, um homem muito triste. Triste era e sempre fora por não viver o que achava deveria viver ou deveria ter vivido, vivera então uma contradição existencial permanente.

Os dias se passavam sempre a seu contragosto, sempre contrariamente como achava que deveria ser.

Seus dias eram choros sem fim; dor sem fim. Não importava o sol o calor das ruas, sua vida era sempre fria e triste.

Não via a alegria a sua volta, pois sempre via a tristeza dentro de si.

Certa vez, indagou-se:

“Por que nada faz sentido; nada é como eu quero”?

Nesse momento, viu-se rodeado de pessoas que riam, choravam, sofriam, sentiam frio, calor, e pensou:

“Há aqueles como eu, não estou só”.

Mas também, surpreendeu-se com os demais.

Era tão pequeno em seus pensamentos; em suas conclusões que apenas viu o que queria.

Via somente sua insignificância e em sua insignificância permaneceu.

Contudo, começara a mover seu pescoço em outras direções e direções tais, que começou a duvidar de suas dúvidas e certezas e a agonizar em seus pensamentos.

Agonizou e se escondeu de tudo e de todos, inclusive de si.

E de si se afastou e não mais se encontrou, até que sua carne já quase morta não suportava mais e desfalecendo e falecendo ainda teve o seguinte pensamento que deixara escrito em linhas tortas em um torpe pedaço de papel:

“A vida nunca foi boa para mim, dela nada tirei, ela nada me deu, nem mesmo a vivi...”

Jardim dos Mortos


Caminhos não mais percorridos

Não mais pelos que a descansar estão

Casas, pequenas e grandes

Flores e Folhas a enfeitar

Os caminhos, os vãos que estou a fitar

Memórias – alegrias e tristezas

Não importa o dia

Sol ou Chuva

Quente ou Frio

A dor pode ser fazer presente

Ou então somente a saudade de um ente

Nas memórias o amor, a dor a recordação

De outrora vivida com ardor e com paixão

Com sentimento ou apenas uma simples afeição

De mães, pais, amigos, amores ou irmãos

Agramonte é seu nome

Estático é sua posição

O canto dos pássaros a ouvir se faz

Às vezes voraz, às vezes não

O perfume a exalar de suas flores; de seus jardins

Triste é o dia a amanhecer sobre seus casarões e casebres

Agonizante é a noite aparecer por de trás de suas sombras

A escuridão lhe cai bem

O dia por sua vez, apenas o torna estranho

Diante de ti, sinto-me impotente

E ao mesmo tempo, alegre

Por saber que indistintamente todos que ali estão

Estão todos iguais

Todos não podem mais ver os seus

Não mais podem sentir a dor, o amor

O frio e o ardor de amores perdidos

De amores conquistados

Não mais o são

Não mais o serão

Senão a si próprios

O silêncio da noite

A agonia do dia