quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Apenas mais um...


Há muito tempo, vivia em uma cidadela, muito singular e particular, um homem muito triste. Triste era e sempre fora por não viver o que achava deveria viver ou deveria ter vivido, vivera então uma contradição existencial permanente.

Os dias se passavam sempre a seu contragosto, sempre contrariamente como achava que deveria ser.

Seus dias eram choros sem fim; dor sem fim. Não importava o sol o calor das ruas, sua vida era sempre fria e triste.

Não via a alegria a sua volta, pois sempre via a tristeza dentro de si.

Certa vez, indagou-se:

“Por que nada faz sentido; nada é como eu quero”?

Nesse momento, viu-se rodeado de pessoas que riam, choravam, sofriam, sentiam frio, calor, e pensou:

“Há aqueles como eu, não estou só”.

Mas também, surpreendeu-se com os demais.

Era tão pequeno em seus pensamentos; em suas conclusões que apenas viu o que queria.

Via somente sua insignificância e em sua insignificância permaneceu.

Contudo, começara a mover seu pescoço em outras direções e direções tais, que começou a duvidar de suas dúvidas e certezas e a agonizar em seus pensamentos.

Agonizou e se escondeu de tudo e de todos, inclusive de si.

E de si se afastou e não mais se encontrou, até que sua carne já quase morta não suportava mais e desfalecendo e falecendo ainda teve o seguinte pensamento que deixara escrito em linhas tortas em um torpe pedaço de papel:

“A vida nunca foi boa para mim, dela nada tirei, ela nada me deu, nem mesmo a vivi...”

Jardim dos Mortos


Caminhos não mais percorridos

Não mais pelos que a descansar estão

Casas, pequenas e grandes

Flores e Folhas a enfeitar

Os caminhos, os vãos que estou a fitar

Memórias – alegrias e tristezas

Não importa o dia

Sol ou Chuva

Quente ou Frio

A dor pode ser fazer presente

Ou então somente a saudade de um ente

Nas memórias o amor, a dor a recordação

De outrora vivida com ardor e com paixão

Com sentimento ou apenas uma simples afeição

De mães, pais, amigos, amores ou irmãos

Agramonte é seu nome

Estático é sua posição

O canto dos pássaros a ouvir se faz

Às vezes voraz, às vezes não

O perfume a exalar de suas flores; de seus jardins

Triste é o dia a amanhecer sobre seus casarões e casebres

Agonizante é a noite aparecer por de trás de suas sombras

A escuridão lhe cai bem

O dia por sua vez, apenas o torna estranho

Diante de ti, sinto-me impotente

E ao mesmo tempo, alegre

Por saber que indistintamente todos que ali estão

Estão todos iguais

Todos não podem mais ver os seus

Não mais podem sentir a dor, o amor

O frio e o ardor de amores perdidos

De amores conquistados

Não mais o são

Não mais o serão

Senão a si próprios

O silêncio da noite

A agonia do dia