Há muito tempo, vivia em uma cidadela, muito singular e particular, um homem muito triste. Triste era e sempre fora por não viver o que achava deveria viver ou deveria ter vivido, vivera então uma contradição existencial permanente.
Os dias se passavam sempre a seu contragosto, sempre contrariamente como achava que deveria ser.
Seus dias eram choros sem fim; dor sem fim. Não importava o sol o calor das ruas, sua vida era sempre fria e triste.
Não via a alegria a sua volta, pois sempre via a tristeza dentro de si.
Certa vez, indagou-se:
“Por que nada faz sentido; nada é como eu quero”?
Nesse momento, viu-se rodeado de pessoas que riam, choravam, sofriam, sentiam frio, calor, e pensou:
“Há aqueles como eu, não estou só”.
Mas também, surpreendeu-se com os demais.
Era tão pequeno em seus pensamentos; em suas conclusões que apenas viu o que queria.
Via somente sua insignificância e em sua insignificância permaneceu.
Contudo, começara a mover seu pescoço em outras direções e direções tais, que começou a duvidar de suas dúvidas e certezas e a agonizar em seus pensamentos.
Agonizou e se escondeu de tudo e de todos, inclusive de si.
E de si se afastou e não mais se encontrou, até que sua carne já quase morta não suportava mais e desfalecendo e falecendo ainda teve o seguinte pensamento que deixara escrito em linhas tortas em um torpe pedaço de papel:
“A vida nunca foi boa para mim, dela nada tirei, ela nada me deu, nem mesmo a vivi...”
