I
No início era o fogo, a dor, a ira
O arrependimento também presente se fez
A humanidade posta outra vez
De joelhos diante da vida
As chamas queimavam tanto
Que os corpos sombra faziam
E o mundo repleto estava
Repleto de tanto vazio
A fome, o mal, a peste, a desconfiança
Permeavam tudo e a todos
A escuridão das almas e dos corações
De tão escuros, uniam mesmo os não-irmãos
O brilho da morte era intenso
A laceração das vísceras
Os vícios e agonias
Apenas sequazes noite e dia
Queimava tanto que o queimar
Congelar parecia
O corpo a alma a mente
Enquanto toda desgraça acontecia
II
A noite acalmava a dor
Pois não se via tamanha agonia
Sentia-se, sabia-se das tormentas
Das pragas e pestes que andavam de dia
Não se via, mas o som da morte
Sentia-se o sangue correr
Não mais pelas veias
Mas por todo corpo escorriam
Fumaça, escuridão, dor
Chagas cheias de bichos
Feridas abertas
Putrefação à vista
Dejetos; horror fétido
Envolvia tudo e a todos
Pelos cantos, corpos
E todo tipo de resto
Não havia risadas, caminhadas
Somente gargalhadas ao começo
De um novo dia que seria
Horrendo, podre e sofrido como os outros
III
Assim era o começo
Assim era o fim de uma era
Era desperdiçada em vicissitudes
Em ganância, maldade e egoísmo
O fim era apenas o começo
Da famigerada punição a
Tudo e a todos
A vez da dizimação em massa
Sofrimento era a única
Companhia à vista e à mão
Lugar comum onde
Todos e tudo se amontoavam
Desgraças não eram nem às vezes
Vistas, tamanha a dor
A indiferença, agonia
Cegueira e tristeza sentidas
A morte já não era se quer
Uma saída ou entrada
Era um precioso milagre
Que poucos alcançavam
IIII
O tempo milagre fez
O mundo em sofrimento
Ainda gira e gira
E girando a dor prolonga-se
Prolonga-se e Prolongando-se
Sofre-se, mas aprende-se
Também com a dor e o horror a conviver
E um novo amanhã a nascer
A dor aproximou
O amor não mais se conhecia
Conhecia-se apenas
Aquele mundo de dor, agonia e sofrimento
Mas por linhas mesmo tortas
Escrevem-se histórias de derrotas e vitórias
De superação; de caminhos percorridos
Ou até mesmo de caminhos esquecidos
Nas entrelinhas lê-se todos
Os “mas”, os “porém” e os “se”
E tudo mais que escrito está
E o que velado foi
segunda-feira, 29 de março de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário