quarta-feira, 14 de abril de 2010

Carta de despedida...


Agonia, dor, vazio
Mostram-me que vivo ainda estou
Não por muito mais tempo...

O vale da sombra da morte
Tenho de percorrê-lo
Sozinho
Vocês estarão comigo
Em meu coração partido
Nas lágrimas que escorrerão pelo meu rosto
Nas marcas em minhas mãos


O frio envolve-me e envolver-me-á
A dor companheira indesejável
À noite, meu céu sem estrelas, sem luar
Também companhia me fará
Nos últimos momentos de minha caminhada

Obrigado a todos
Por transformarem um nada em lembrança
Obrigado pelo tempo que desperdiçaram comigo
Obrigado pelo abrigo
Obrigado pelo refúgio
Obrigado pelo ombro amigo
Das noites indesejadas de incômodo
Desculpem por todo tempo que lhes tomei
Desculpem por todo problema que os levei
Perdoem-me pela fraqueza de meu ser
Perdoem-me pela arrogância
Perdoem-me por tudo o que de bom não os fiz
Por todo mal e aborrecimento que lhes causei

Ando, e ainda um pouco mais hei de andar
Descalço pelas estradas tortuosas da vida
Que ainda hei de passar
Sofro, e ainda um pouco mais sofrerei
Apesar de a escuridão me cercar
E de pouco em pouco a visão perder
De tudo esquecer...
Mas os trarei em meu coração até o último momento
Amei-vos da minha maneira
Amem-se e amem uns aos outros
E nada façam em memória de mim
Obrigado e perdoem-me
Deixem-me descansar em paz
Só, como vim, como vivi e como hei de terminar...

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