terça-feira, 29 de junho de 2010

Carta de um suicida em potencial



Não sou, não quero e não serei suicida, apenas sinto e quero escrever como tal. É pensado que alguém de pouca instrução não é propenso ao suicídio, e talvez, essa seja uma verdade. Assim o digo, visto a maioria dos suicidas possuírem um alto intelecto. Acredito nisso, pois os sentimentos, conclusões e inferências que são feitas, vislumbradas e vivenciadas por um suicida e as quais, normalmente em cartas constam, referem-se a leituras de mundo e de fatos que normalmente possuem em si, uma complexidade que dificilmente alguém de pouca instrução teria a percepção das mesmas.

Enquanto escrevo essas linhas, tenho em meu coração, alma e mente um alto sentimento de autodestruição; uma agonia; um sentimento profundo de impotência e vislumbro um futuro vazio, ou melhor, um não-futuro, apenas um presente ausente.

Esses sentimentos tomam-me de tal forma, que apenas consigo ver em repetidas vezes, como se vivesse e revivesse o tempo todo, o começo de meu fim e não vejo fim para este começo, apenas uma contínua e aguda caminhada de torpe trajeto. Trajeto esse, que parece infinito e bifurcado a cada passo, e o pouco que se consegue ver dos caminhos oferecidos; das escolhas, não é bom. Incrivelmente, independentemente do caminho ou escolha tomada. A cada passo, o sentimento é que se anda em círculo com a diferença deste círculo por vezes se fechar, por vezes se abrir.

Em meu caminhar não há dia, só noite; não há calor, só frio; não há luz, só escuridão.

O calor que dá vida aos que vida tem, em mim, age como o sol que toca uma foto e com o passar do tempo a descolore de tal forma que um dia, ela se apaga. Assim também é a chuva que encharca minhas memórias ao ponto de me fazer afogar em mim mesmo enquanto desapareço perante a mim e perante aos outros.

Enfim, a tristeza que se apodera de mim, me consome, me “destorna” homem; faz com que me esqueça o que sou, o que fui e do que um dia tive vontade de ser...

Tenho enfim, talvez já o fim, presente em meus dias que ainda virão; tenho a certeza de que a morte virá e quero vê-la vestida de carmim, sorridente, aconchegante, apenas esperando por mim, como uma meretriz que seu homem espera.

Quero apenas encontrar conforto em seus braços, me sentir vivo, embora morto esteja.

Quero apenas me reencontrar comigo mesmo; quero apenas ser a sombra do que um dia já fui...

A metade da lua que vejo é a minha somente

Penso em ti e tu pensas em mim?

Sinto tua falta e tu sentes a minha?

A Lua brilha, mas somente uma metade...

As estrelas enfeitam os céus, mas não todas...

Por onde andarás?

Onde estarás?

Sei que estás aqui comigo...

Em meus pensamentos; sentimentos...

O frio apenas me faz querer contigo estar

A sua ausência apenas sua presença em mim faz aumentar

Sinto que deveria seus lábios sentir contra os meus, tocá-los

Queria estar contigo em seus braços, te abraçar...

Sinto-me perdido em ti...

Sinto-me longe e perto de tudo em ti...

Queria sentir-te, olhar-te dentro dos olhos

Esquecer-me de mim e perder-me em você...

sábado, 12 de junho de 2010

O diabo na torre da igreja.



Sou o diabo na torre da igreja.
Sou aquele que vai trazer a desordem,
O questionamento, a luz...

Sou o diabo na torre da igreja.
Trarei movimento ao mundo inerte,
As almas, aos corações...

Sou o diabo na torre da igreja.
Farei você acordar,
Farei você tremer, temer, amaldiçoar, enfim viver...

Sou o diabo na torre da igreja.
Convido você a revoltar-se, a não aceitar, a
Zangar-se, a pensar, a crescer...

Sejamos então, o diabo na torre da igreja.
Toquemos fortemente o sino...
Acordemos tudo e todos e sejamos senhores de nós mesmos...