Sou a figura trágica do lobisomem.
Sou aquele que apesar da monstruosidade aparente,
Esconde um humano, cheio de medo e falhas...
Sou a tragédia daquele que mata e afasta quem ama
E sofre por ser algo que não quer.
Sou o medo personificado
A solidão esquecida dentro...
A dor que causo, sou a dor que sinto
O tempo que espero é simplesmente
O tempo em que em mim me perdi...
Sou apenas um espelho distorcido daquilo
Que um dia já fui
Que um dia pretendi ser
De algo que sou e que não entendo...
Sou como disse a tragédia de ser o que não sou,
E de me ausentar de mim em mim;
De não ter consciência do que sou e de
Por isso sofrer, por mim e em mim...
De morrer um pouco a cada dia por dentro e
De me perder na besta feroz que me tornei
De ser o homem de outrora perdido
No monstro aparente de hoje...
