A estrada árida diante de mim antecipa meus passos.
Não vejo o sol, contudo sua luz minha pele queima,
Marca-me como se gado eu fosse.
A poeira, minha boca e meu corpo, ressequidos torna.
Meus olhos em tentativa de prosseguir
Vislumbrando o caminho se apertam;
Se fecham e assim meu rosto marcado fica.
Minhas mãos grossas e ásperas se tornaram,
Cego pelo sol, prossigo sem olhar em volta.
Apenas sigo, sigo sem parar, mesmo sabendo que
Meu corpo parando esteja.
Não há lágrimas em meus olhos
Meu coração apenas bate,
Não mais pesado fica.
Músculo pulsante a bombear o
Poderoso fluido por minhas
Artérias e veias.
Meus pés não mais sentem o chão, apenas pisam.
É chegada a hora, após tanto caminhar.
Devo me colocar em posição fetal e servir à cadeia alimentar.
Devo para o útero da mãe terra voltar e
Completar minha missão, tenha sido ou seja qual for.

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